Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PPGCC

Mestrado em Ciência da Computação

Uma proposta de Interface para Bibliotecas Digitais configurável ao perfil do usuário

Plano de Estudo e Pesquisa (PEP)

Por Jiani Cordeiro Cardoso

Orientador: Prof. Dr. João Batista de Oliveira

Banca Examinadora: Prof. Dra. Maria Lúcia Martins Giraffa

Porto Alegre, abril de 2000

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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
2. ESTADO DA ARTE
2.1. NOVOS MODELOS DE BIBLIOTECAS
2. ESTADO DA ARTE
2.1. NOVOS MODELOS DE BIBLIOTECAS
2.2. PANORAMA ATUAL
3. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA
3.1. QUESTÕES ASSOCIADAS A BIBLIOTECAS DIGITAIS
3.2. A QUESTÃO DA INTERFACE DE USUÁRIO

4. OBJETIVOS

4.1. OBJETIVOS GERAIS
4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
5. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
5.1. ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS
5.2. CRONOGRAMA
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
7. BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR

1. INTRODUÇÃO

A Internet abriga uma quantidade gigantesca de informação em ciência e tecnologia de natureza variada. Apesar das incontáveis ferramentas de recuperação de informação existentes na rede, como os search engines1, catálogos e guias, tal informação não apresenta uma organização que permita aos pesquisadores consultá-la com facilidade, obtendo, em tempo hábil, resultados capazes de atender às suas necessidades. Ainda em relação a fatores que inibem o uso da Internet, pode-se juntar a pouca experiência dos pesquisadores na utilização dessas tecnologias, principalmente de busca e acesso à informação especializada [CAR 99a].

Por esse motivo o desenvolvimento de bibliotecas digitais vem ganhando espaço na rede, como uma referência a informações de qualidade e um novo campo de possibilidade à cultura. Associações e grupos de pesquisa, análise e desenvolvimento de tecnologias são os pioneiros em projetos de construção de bibliotecas digitais.

As instituições de ensino, conhecidas como formadoras de conhecimento, também estão desenvolvendo universidades virtuais com o intuito de levar a informação a quem desejar obtê-la, sem limites físicos – um princípio da educação a distância. Dentro deste contexto o reconhecimento da necessidade de disponibilizar informações de cunho científico através de biblioteca digitais é de grande utilidade para todas as pessoas.

A Biblioteca Digital surge como uma aliada da Biblioteca Tradicional. Sua organização requer os mesmos princípios empregados em uma biblioteca tradicional, dentre eles: seleção da fonte de informação, aquisição de informações que preencham as necessidades do usuário, fornecimento de material atualizado; boa organização e classificação das aquisições com a finalidade de auxiliar a orientação do usuário na seleção dos itens de seu interesse, agrupamento de fontes de acordo com sua função e seu conteúdo, entre outros. A mudança mais óbvia que ocorre como resultado da inovação tecnológica está expressa concisamente no acesso, em lugar de propriedade [PER 95]. Através de uma biblioteca digital o usuário poderá consultar, acessar e adquirir informações de várias tipos tais como textos, imagens e som de qualquer local de acesso conforme conveniência do próprio usuário.

Por estar entre as mais complexas e avançadas formas de sistemas de informações o desenvolvimento de bibliotecas digitais envolve com freqüência: preservação dos documentos digitais, hipertexto, informação filtrada, recuperação da informação, serviços de informação multimídia, serviços de referência, propriedade intelectual dos direitos autorais, etc. [MAR 98]. Muitas pesquisas e trabalhos tem se desenvolvido com a intenção de fazer da biblioteca digital uma extensão da biblioteca tradicional. Através da disponibilização de bibliotecas digitais institucionais milhares de pessoas podem se beneficiar de informações confiáveis, nos mais diversos lugares do mundo.

Porém para que a bibliotecas digitais tornem-se tão populares quanto as bibliotecas tradicionais e encorajem usuários ao seu descobrimento, precisam oferecer a eles interfaces com facilidades de uso e interpretação. Dado que a interface é a responsável pela troca de informação do usuário com o sistema, se o mesmo não a compreendê-la a comunicação será prejudicada e poderá não ocorrer [LEI 98].

Um dos empecilhos a difusão do uso de bibliotecas digitais é o pouco conhecimento sobre suas potencialidades. As bibliotecas digitais se diferem significativamente nas opções de busca oferecidas, apresentação dos resultados das consultas, visualização dos documentos, entre outros [CAR 99a].

Dessa forma, ao realizar um estudo preliminar sobre bibliotecas digitais foi possível observar dentre os vários fatores que envolvem seu desenvolvimento e difusão que a questão relacionada a interface de usuário necessita de pesquisas que se envolvam com a satisfação do usuário. Assim, faz-se necessário um estudo e desenvolvimento de uma interface que possibilite ao usuário realizar suas pesquisas de forma facilitada, com opções de busca necessárias a uma biblioteca digital e que o incentive ao descobrimento de suas funcionalidades e qualidades.

Também através desses estudos será possível auxiliar as pesquisas em andamento no Laboratório de Bibliotecas Digitais da PUCRS que vem se dedicando ao estudo de tecnologias que permitam o acesso a informações de conteúdo bibliográfico à distância [RAA 99].

2. ESTADO DA ARTE

2.1. NOVOS MODELOS DE BIBLIOTECAS

As bibliotecas surgiram como instrumento capaz de reunir e organizar informações. A forma como o acervo é disponibilizado em uma biblioteca moderna possibilita sua classificação em biblioteca tradicional, biblioteca polimídia, biblioteca eletrônica, biblioteca virtual e biblioteca digital.

Em uma biblioteca tradicional, para valer-se de material impresso o usuário deve transportar-se fisicamente até a mesma para acessar a informação desejada. Nos novos tipos de bibliotecas que surgem, transforma-se o modo de acesso aos materiais [CAR 99a].

A biblioteca polimídia é similar à tradicional, porém além de publicações impressas (livros, revistas, jornais, etc.) também estão disponíveis, fitas de vídeo, CD-ROM, microfilmes, entre outros.

Na biblioteca eletrônica as publicações impressas estão catalogadas em um banco de dados, que pressupõe a existência de um acervo físico e utilizam amplamente os recursos computacionais para armazenamento e recuperação de textos a partir de outras bibliotecas [BAR 94].

Em muitos países o termo biblioteca digital (digital library) é sinônimo de biblioteca eletrônica (principalmente no Reino Unido), biblioteca virtual, biblioteca sem paredes ou biblioteca do futuro [CUN 98]. Ela dispõe de todos os recursos de uma biblioteca eletrônica, oferecendo pesquisa e visualização dos documentos (tanto local como remotamente por meio de redes de computadores), porém alguns autores diferem a biblioteca digital das demais no sentido de que em uma biblioteca digital as informações estão disponíveis somente de forma digital (meio magnético, CD, Internet, etc.), não sendo possível encontrar livros na forma convencional [MAR 97].

Por sua vez, o termo biblioteca virtual está associado a pelo menos dois conceitos, um deles ligado ao conceito de realidade virtual. Neste caso, a biblioteca utiliza recursos de programação que simulam, na tela do computador, um ambiente de biblioteca, criando imagens em três dimensões que possibilitam entrar e circular pelas prateleiras de uma biblioteca virtual, acessar e ler livros, possuindo assim, a característica de imersão [MAR 97]. Por outro lado, ela pode ser definida como uma relação de sites organizados segundo um critério temático, como se fosse um catálogo, não estando vinculada a nenhuma biblioteca do mundo real [CIA 97].

Cabe salientar que há uma relação da biblioteca digital com a biblioteca virtual no sentido de que na primeira deve haver a previsão de se organizar uma biblioteca virtual, sendo que a diferença mais notável entre elas é que biblioteca digital está sempre ligada a uma instituição e seus links de hipertexto apontam para acervos existentes [CIA 97].

O que ocorreu realmente foi uma mudança na terminologia, a medida que novos estudos foram sendo realizados e os conceitos foram revisados. O importante é o conhecimento sobre o seu objetivo – satisfazer o usuário da informação que ele necessita [CAR 99a].

 

2.2 PANORAMA ATUAL

Vista atualmente como uma área de grande futuro na ciência da informação, desde 1994 o assunto biblioteca digital tem sido objeto de um volume crescente de pesquisas. De três congressos, especificamente dedicados ao tema em 1994, o número cresceu para cinco em 1995 e para oito, em 1997. Dois novos títulos de periódicos, D-LIB Magazine e International Journal on Digital Libraries, passaram a divulgar artigos sobre pesquisas e projetos em andamento. Além disso, listas de discussão, artigos de periódicos e monografias demonstram que o tema está em pleno crescimento [CUN 98].

Atualmente, centenas de bibliotecas digitais estão emergindo ao redor do mundo, cruzando todas as disciplinas e mídias e percorrendo desde pequenas organizações de comunidade, que oferecem catálogos e notícias on-line2 para distritos eleitorais locais, a bibliotecas nacionais que oferecem uma grande variedade de pesquisa e tesouros culturais em mídia múltiplas. Elas surgem como uma resposta ao fenômeno da explosão da quantidade de informação [MAR 97]. Muitos autores visualizam um futuro em que os documentos impressos existam lado a lado com os artefatos digitais, apontando que "o princípio orientador deva ser o de usar a tecnologia apropriada para cada propósito particular", no sentido de que a existência dessas novas tecnologias não signifique que devam ser abolidas as anteriores; da mesma forma como a televisão não tomou o lugar do cinema e do rádio, a intenção não é competir com a versão tradicional, mas complementá-la [DRA 97].

São muitos os projetos de biblioteca digital ora em desenvolvimento nos mais diversos lugares do mundo:

Outros projeto em desenvolvimento pelo mundo: Project MeDoc (Austrália), National Library of Canada (Canadá), Jukebox (Dinamarca), University of California, Berkeley – Digital Library Project (Estados Unidos), Bibliothèque Nationale de France (França), TULIP - Elsevier Science (Holanda), Nara Institute of Science and Techonology (Japão), New Zealand Digital Library (Nova Zelândia), British Library (Reino Unido), Vatican Library (Vaticano), etc.

Todos estes projetos envolvendo bibliotecas digitais apontam para uma série de vantagens no uso dos novos recursos tecnológicos, além de um grande número de obstáculos ainda a serem superados. Entre as vantagens, pode-se relacionar [BOR 99]:

Apesar das vantagens apontadas, ainda é grande o número de questionamento que cercam o desenvolvimento de bibliotecas Digitais. Alguns dos questionamentos constituem os tópicos a serem abordados no capítulo seguinte deste trabalho.

  

3. CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

3.1. QUESTÕES ASSOCIADAS A BIBLIOTECAS DIGITAIS

Mesmo com muitos projetos de bibliotecas digitais em andamento inúmeras questões ainda não foram bem resolvidas sobre sua concepção e distribuição de informação, sendo um desafio constante ao seu desenvolvimento. As questões estão relacionadas: aos aspectos legais e éticos, aos aspectos econômicos, a ausência de padrões para descrição de páginas, metáforas e interfaces, preservação de documentos (da informação, dos direitos intelectuais), personalização dos documentos, recuperação da informação, entre outras. Algumas destas são apresentados a seguir:

A tecnologia de produção de documentos digitais desenvolveu-se mais rapidamente do que os instrumentos legais para protegê-la. As novas leis de propriedade intelectual que estão sendo discutidas nos Estados Unidos, por exemplo, procuram alcançar um equilíbrio entre proteção ao direito autoral (a fim de garantir ao autor o lucro de seu trabalho) e o interesse público maior de garantir o mais amplo acesso possível à informação [MIC 97].

O mero acesso à informação on-line2 não significa que esta informação seja sempre gratuita. Isto quer dizer que os centros distribuidores de informação contumam ter, com freqüência, um retorno de seu investimento de coleta, tratamento e disponibilização de informações, cobrando taxas de acesso e serviços. Sobre isto, naturalmente, há muitas controvérsias [LEV 97].

Uma coisa é portanto, a criação de depósitos digitais, e outra, distinta, é garantir que tais registros estarão sempre disponíveis e atualizados.

É necessário que se desenvolvam interfaces que auxiliem o usuário a buscar, filtrar e avaliar os documentos, orientado-os quanto a descritores, palavras truncadas, operadores booleanos e todas as estratégias utilizadas nesta atividade, limitando e selecionando as que forem relevantes [LEV 97].

A mudança de suporte implica tão-somente a preservação da informação e não a preservação física do documento na mídia original. O suporte digital resolve, portanto, apenas uma parte da questão e cria novos problemas: o da obsolência das tecnologias de preservação, armazenamento e recuperação e, dada a facilidade de manipulação de dados, pela mídia digital, o da autenticidade [LEV 97].

O problema da preservação "intelectual" se refere à integridade e autenticidade dos documentos que podem ser corrompidos intencional ou acidentalmente. A seguir, estão alguns problemas levantados sobre este assunto [LEV 97]:

  1. Como se pode ter certeza de que o documento que está sendo acessado pelo usuário é aquele por ele solicitado?
  2. Como se pode ter certeza de que o documento encontrado é o mesmo cuja referência foi feita em uma nota de rodapé?
  3. Como se pode ter certeza de que o documento atual está íntegro e não foi modificado desde a última vez em que foi acessado?
  4. E, dada a fluidez com que a informação se transforma, sites, diretórios e arquivos são criados e desativados, como se pode ter certeza de que o documento referenciado continuará amanhã disponível naquele mesmo endereço?

Por outro lado, como a quantidade de informação aumentou exponencialmente, as bibliotecas são forçadas a fazer um uso maior de ferramentas eletrônicas com a intenção de facilitar o armazenamento e o processo de recuperação [KOW 97]. Também considerando que os recursos informacionais estão cada vez mais acessíveis aos usuários finais, um dos problemas é saber como oferecer acesso a tais recursos de forma fácil e precisa [KUR 95]. A maioria das bibliotecas tem disponibilizado diversos opções de busca para recuperação de documentos que sejam os mais relevantes à busca feita pelo usuário. Tais opções podem ser disponibilizadas através das interface das bibliotecas digitais. O que tem ocorrido é que as bibliotecas digitais estão investindo em métodos para oferecer uma maior relevância sob os termos de busca, porém cada uma está fazendo uso dos métodos que considera de importância e a sintaxe que será utilizada para expressá-lo. Porém a diversidade de opções de busca entre as bibliotecas digitais e sua forma de utilização tem dificultado a compreensão de usuários, principalmente de principiantes [CAR 99b].

Como a legibilidade da tela é ainda muito inferior à da página impressa [LEV 97] para que as pessoas sintam-se confortáveis em utilizar uma determinada biblioteca digital é preciso oferecer recursos que tornem suas ações próximas a da biblioteca tradicional.

Além das questões apresentadas também identifica-se: a dissolução da barreira biblioteca/editor; dissolução da barreira autor/editor; dissolução de certas diferenças entre bibliotecas e livrarias; autenticação de documentos; crise da identidade: mudar ou obsolescer. Tais questões também tem sido motivo de discussões com grande intensidade na área da biblioteconomia e da ciência da informação.

Todos os vários obstáculos que dificultam o desenvolvimento das bibliotecas digitais somente serão vencidos a partir de estudos mais profundos sobre as questões apresentadas. Dentre elas este trabalho tem por interesse a questão relacionada a interface com o usuário para bibliotecas digitais, apresentada no item que segue.

3.2. A QUESTÃO DA INTERFACE DE USUÁRIO

O uso de computadores chegou ao grande público já há algum tempo. A maioria quase absoluta de usuários de sistemas computacionais, hoje em dia, não é especialista em Informática e tem como expectativa básica que um sistema computacional deva ter uma interface gráfica "intuitiva" de fácil uso e aprendizagem. Usuários, via de regra, preferem sistemas de uso fácil, mesmo com funcionalidade reduzida, ao invés de sistemas muito ricos em termos de facilidades, mas de uso "complicado". A interface, portanto, é um dos fatores preponderantes para o sucesso ou não de um sistema computacional [LIE 99].

Com o crescimento do uso da Internet, incluindo o nível de usuário leigo e com fins não só de entretenimento, mas também uso científico e comercial, é de todo interesse o estudo de ferramentas que facilitem a utilização dos recursos colocados à disposição destes usuários [BOR 97].

Os projetos de bibliotecas digitais tem-se intensificado a cada ano. Atualmente dezenas de Bibliotecas Digitais já podem ser utilizadas através da Internet. São diversos repositórios de informação disponíveis aos usuários localizados em diversos lugares no mundo.

Ao acessar diferentes bibliotecas digitais é possível identificar grandes variações nessas interfaces. Considerando que um dos objetivos principais de uma biblioteca digital seja satisfazer o usuário com a informação que ele necessita, sua interface deve possibilitar ao usuário opções de busca necessárias e adequadas ao contexto de biblioteca digital de maneira a oferecer ao usuário incentivo ao descobrimento de novas formas de se realizar a consulta, recuperação e visualização do documento.

As interfaces de bibliotecas digitais tem evoluído a partir das interfaces dos catálogos eletrônicos on-line, conhecidos na Internet como OPACs (On-line Public Access Catalogs) onde o usuário através de consultas padrões, tais como: palavra-chave, nome do autor, título da obra, verifica a existência de documentos relevantes a sua consulta na literatura. Este processo se assemelha ao existente na biblioteca tradicional. Porém ao contrário dos OPACs uma das principais características e também vantagem da biblioteca digital é poder oferecer o full text10 do(s) documento(s) que satisfez a consulta. Nesse sentido, a biblioteca digital precisa oferecer opções de busca que vão além de consultas padrões disponíveis nos OPACs e nos fichários de bibliotecas tradicionais.

Muitas bibliotecas digitais já tem incorporado novas opções de busca, com a finalidade de localizar itens relevantes com maior rapidez, porém a diversidade das opções, suas terminologias e sintaxes, acabam inibindo o usuário a usá-las. Dentre as opções encontradas em bibliotecas digitais tem-se: Boolean Logic, Fuzzy Expansion, Wildcard, Exactly like/stem expansion, Proximidade, Case Sensitivity, Stopwords, entre outros. Um breve resumo sobre suas funcionalidades é apresentado a seguir [CAR 99a]:

Logo, um dos desafios em interfaces de bibliotecas digitais é oferecer as opções de busca necessárias a uma biblioteca digital e de maneira que o usuário saiba utilizá-la. Pois, muitas dessas opções mesmos estando disponíveis na interface deixam de ser utilizadas pelo usuário por falta de conhecimento de como elas funcionam [SHN 98]. Na maioria das vezes tal explicação esta presente no help on-line da biblioteca digital, porém o usuário ao acessar uma biblioteca ele não deseja ter de consultar o help, ele quer realizar a pesquisa rapidamente.

Por esses motivos, dentre os objetivos deste trabalho tem-se: identificar as opções de busca presentes em bibliotecas digitais, entender suas funcionalidades e após analise sobre suas reais necessidades oferecê-las ao usuário através de um protótipo de interface de biblioteca digital.

Para isso, estudos precisos devem ser desenvolvidos de maneira a tornar a interface de bibliotecas digitais "amigáveis", fáceis de serem utilizadas, fornecendo seqüências simples e consistentes de interação, mostrando claramente as alternativas disponíveis a cada passo da interação sem confundir nem deixar o usuário inseguro [FER 97]. Pois, a interface precisa passar despercebida para que o usuário possa se fixar somente no problema que deseja resolver ao utilizar seja uma biblioteca digital ou outro sistema qualquer.

Outro aspecto importante na interfaces de usuários para biblioteca digitais está ligada ao fato de considerar o usuário como iniciante ou avançado, somente. A maioria dos usuários ainda encontra dificuldades em formular perguntas, porque são inseguros sobre o exato valor do campo que querem pesquisar. De fato, pode não haver um valor único que seja apropriado. Como resposta a esta insegurança, o usuário acaba utilizando preferencialmente a busca padrão (palavra-chave – autor, procurar em toda a coleção) [EDE 96].

Ciente das dificuldades do usuário em formular as consultas, as bibliotecas digitais oferecem aos seus usuários uma interface simples e uma interface avançada. Na interface simples estão a disposição do usuário poucas opções de busca e que irá realizar uma pesquisa mais abrangente (em todo a coleção). Já na interface avançada o usuário encontra um número bem maior de opções, no qual ele poderá limitar a busca em uma determinada coleção, período, etc.

Sendo assim, também é objetivo deste trabalho o desenvolvimento de uma interface adaptável ao perfil do usuário. Ou seja, a partir da seleção de opções que o usuário utilize com maior freqüência estas apresentarem-se disponíveis e pré-selecionadas num próximo acesso do usuário. Ainda com a intenção de oferecer facilidades e comodidades ao usuário, como por exemplo: estudar formas de oferecer-lhe uma personalização de sua interface através da criação de sua própria estante de livros; com base nas coleções mais utilizadas por ele oferecer listas de novos volumes integrados as coleções que ele mais consulta; incentivar o uso de novas opções de busca através de um help sensível ao contexto, apresentar-lhe o resultado de uma consulta de maneira adequada (com opções de visualização do documento, documentos similares, ordem de relevância, feedback da consulta realizada anteriormente), etc.

É importante ainda ressaltar que o desenvolvimento de interfaces de usuário constitui uma área de pesquisa ampla e multidisciplinar. Para isso, serão buscadas junto as fontes de pesquisa subsídios para que o desenvolvimento ocorra de maneira correta visando a satisfazer os objetivos deste trabalho, apresentados a seguir.

  

4. OBJETIVOS

Vimos anteriormente que há vários desafios na concepção de Bibliotecas Digitais. Deste modo, nesta dissertação de mestrado pretende-se trabalhar sob a questão da interface de usuário.

4.1. OBJETIVOS GERAIS

Desenvolver uma interface configurável para biblioteca digital, através do oferecimento de opções de busca e recuperação da consulta realizada adequadas ao perfil do usuário.

4.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

5. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

A seguir são enumeradas as atividades que estão envolvidas no processo de desenvolvimento da interface de biblioteca digital proposta. Ao longo do processo é possível que sofram alterações.

5.1. ATIVIDADES A SEREM REALIZADAS

  1. Fazer a revisão bibliográfica sobre os assuntos relacionados ao trabalho proposto;
  2. Pesquisar opções de busca presentes em algumas bibliotecas digitais já desenvolvidas;
  3. Analisar as opções de busca encontradas em algumas bibliotecas digitais e julgar sua necessidade ou não na interface que se propõe desenvolver;
  4. Analisar as necessidades e oportunidades que surgem com o desenvolvimento de bibliotecas digitais;
  5. Realizar um estudo sobre diretivas e considerações no desenvolvimento de interfaces de usuário;
  6. Identificar vantagens que advém do uso do formato digital;
  7. Fazer o levantamento das tecnologias existentes que possibilitem o desenvolvimento e implantação da interface proposta;
  8. Projetar uma interface para biblioteca digital de acordo com os itens de 1 – 7;
  9. Seminário de andamento;
  10. Implementar o protótipo de interface para biblioteca digital;
  11. Analisar a interface desenvolvida e sua operacionalização como interface de biblioteca digital,
  12. Redação da dissertação;
  13. Redação de artigos científicos a serem submetidos a eventos ou periódicos da área;
  14. Entrega da dissertação.

5.2. CRONOGRAMA

 

Abaixo, temos as atividades a serem desenvolvidas distribuídas em meses.

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Atividade 1

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Atividade 2

 

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Atividade 3

 

 

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Atividade 4

 

 

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Atividade 5

 

 

 

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Atividade 6

 

 

 

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Atividade 7

 

 

 

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Atividade 8

 

 

 

 

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Atividade 9

 

 

 

 

 

 

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Atividade 10

 

 

 

 

 

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Atividade 11

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atividade 12

 

 

 

 

 

 

 

 

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Atividade 13

 

 

 

 

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Atividade 14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A proposta de desenvolver uma interface configurável tem a intenção de minimizar esforços dos usuários no uso interfaces de bibliotecas digitais para tornar a busca e recuperação de documentos mais eficaz. Uma vez que a interface se apresente transparente ao usuário e o auxilie de maneira construtiva certamente contribuíra para o crescente uso e disseminação de bibliotecas digitais nos meios acadêmicos e profissionais de maneira mais eficiente.

Este plano de estudo, além de propor uma dissertação do PPGCC-FACIN/PUCRS também tem por finalidade auxiliar a equipe do Laboratório de Biblioteca Digital do Campus Global no desenvolvimento e concepção de uma Biblioteca Digital para a PUCRS.

7. BIBLIOGRAFIA PRELIMINAR

[BAE 99]

BAEZA, Ricardo Yates B, RIBEIRO, Berthier Neto. Modern Information retrieval. New York: Addison-Wesley, 1999.

[BLA 99]

BLATMANN, Ursula; BELLI, Mauro José. As Bibliotecas na Educação à Distância: revisão de literatura. Capturado em 01 ago. 1999.Online. Disponível na Internet http://www. ced.ufsc.br/~ursula/papers/ciberead.html.

[BEL 99]

BÉTRAN, Beatriz. An EPSS Interface that people can use. Capturado em 17 de jun. 1999. Online. Disponível na Internet http://ourworld.compuserve.com/homepages/bea_beltran/

[BOR 97]

BORGES, Roberto Cabral de Mello. Interfaces de Sistemas para Navegação em Hiperdocumentos. Porto Alegre: CPGCC daUFRGS, 1997.

[BAR 94]

BARKER, Phillip. Eletronic libraries: visions of the future. The Eletronic Library, v. 44, p.221, Aug. 1994. Apud MARCHIORI, p. 118.

[BOR 99]

BORGES, Karen. Ensino à Distância, Bibliotecas Digitais e Direitos Autorais. V Workshop de Informática na Escola - SBC 99 - Rio de Janeiro, 19 a 23 de julho de 1999. Capturado em 20 out. 1999. Online. Disponível na internet http://www.inf.pucrs.br/~karen/artigos.html

[CAR 99a]

CARDOSO, Jiani. Requisitos e funcionalidades em interfaces de Bibliotecas digitais. Trabalho Individual I. 56f. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação. Mestrado. PUCRS, Setembro,1999. Online. Disponível na internet http://www.inf.pucrs.br/~nani/trabalhos.htm

[CAR 99b]

CARDOSO, Jiani. Considerações em interfaces de Bibliotecas Digitais. Porto Alegre, 1999. Trabalho Individual II. 45f. Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação. Mestrado. PUCRS, Novembro,1999. Online. Disponível na internet http://www.inf.pucrs.br/~trabalhos.htm

[CUN 98]

CUNHA, Murilo Bastos da. Desafios na Construção de uma Bibliotecas Virtuais. Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias, 10, Fortaleza, out. 1998. Capturado em 24 jul. 1999. Online. Disponível na Internet http://sw.npd.ufc.br/snbu/trabmurilo.htm

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DRABENSTOTT, Karen M, BURMAN, Celeste M. Revisão analítica da Biblioteca do futuro. Ciência da Informação On-line., Brasília, v.26, n.2, 1997. Capturado em ago. 1999. Online. Disponível na Internet: http://www.ibict.br/cionline/docs/2629702.htm

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EDELSON, Daniel C. DOUGLAS N. Gordin. Adpating Digital Libraries for Learners. Acessibility vs. Availability. Artigo eletrônico do periódico D-Lib Magazine, Sep. 1996. Capturado em out. 1999. Online. Disponível na Internet. http://www.dlib.org/dlib/september96/nwu/09edelson.html

[FER 97]

FERREIRA, José Rincon. A biblioteca digital. Revista USP – Informática/Internet., São Paulo, n.35, set/nov. 1997. Artigo eletrônico do periódico Revista USP Dossiê Informática/Internet. Capturado em set. 1999. Online. Disponível na Internet. http://www.usp.br/geral/infousp/rincon/rincon.htm

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FERREIRA, Sueli Mara S.P. Design de biblioteca virtual centrado no usuário : a abordagem Sense-Making para estudos de necessidades e procedimentos de busca e uso da informação.Ciência da Informação, Brasília, v.26, n.2, p.214-217, maio/ago 1997.
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[PER 95]

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